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EPISONO

Uma revolução no estudo do sono

O EPISONO é um dos maiores estudos epidemiológicos sobre sono no mundo, realizado a cada década para verificar a qualidade de sono e a influência dos distúrbios de sono na saúde de uma amostra representativa da população da cidade de São Paulo.

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Iniciado em 1986 e liderado pelo Prof. Dr. Sergio Tufik, o Estudo Epidemiológico do Sono (EPISONO) constitui uma iniciativa importante de pesquisa científica dedicada à compreensão dos padrões de sono e de seus impactos na saúde e na qualidade de vida da população.

Em 2007, sua 3ª edição representou um marco na epidemiologia da apneia obstrutiva do sono (AOS), ao revelar que aproximadamente 33% da população adulta da cidade de São Paulo apresentava AOS (Tufik et al., 2010). Esse resultado ampliou significativamente o conhecimento sobre a magnitude da doença, cuja prevalência era estimada internacionalmente, à época, em cerca de 2% a 4%, contribuindo para transformar a compreensão de sua relevância como problema de saúde pública.

O achado impulsionou pesquisas em outros países, que confirmaram os números revelados pelo estudo e consolidaram a relevância da produção científica do Instituto do Sono no cenário internacional.

Uma década depois, a 4ª edição do EPISONO voltou a mapear o sono da população de São Paulo. Em 2026, um novo estudo do Dr. Sergio Tufik atualizou a prevalência da apneia do sono, que hoje atinge 37,1% dos paulistanos, aumento significativo em relação à edição de 2007.

Dados da 4ª edição do EPISONO sobre a prevalência de AOS em São Paulo

Você sabia?

  • O EPISONO é uma sigla derivada de Estudo Epidemiológico do Sono e um dos mais importantes projetos de investigação sobre a prevalência dos distúrbios de sono no mundo.
  • As análises do EPISONO são fundamentais para ampliar o conhecimento sobre os distúrbios de sono e servir como referência para políticas e estratégias de saúde pública.
  • O projeto EPISONO já produziu cerca de 140 artigos científicos publicados em revistas de impacto internacional.

As edições do EPISONO

1986-87 e 1995
[1ª e 2ª edições]
Os primeiros estudos do EPISONO proporcionaram um panorama representativo dos padrões de sono da população paulistana, evidenciando sua relevância para a saúde pública. Entre as principais manifestações identificadas, destacaram-se as dificuldades para iniciar e manter o sono, o ronco, o sonambulismo e a insônia, demonstrando a frequência elevada de queixas e distúrbios de sono na população.
2007
[3ª edição]
Nesta edição, os 1.042 voluntários realizaram os mesmos procedimentos anteriores, além de exames de polissonografia, actigrafia e dosagens bioquímicas. Os resultados revelaram a prevalência da AOS em cerca de um terço da população, de insônia em 15% e de bruxismo em 7,4%, entre outros dados. Resultados importantes abordaram também a relação entre sono e menopausa, depressão, síndrome metabólica, risco cardiovascular, disfunção erétil e cefaleia noturna, entre outros. Foi o primeiro e único estudo a levar os pacientes para dormir no laboratório de sono considerando uma amostra representativa da cidade.
2015
[Follow-up 3ª edição]
Todos os voluntários do estudo EPISONO de 2007 foram reconvocados para avaliar as mudanças nos padrões de sono e na prevalência de distúrbios de sono ao longo de 8 anos. Entre os principais resultados, observou-se um aumento significativo nos índices de AOS, associado sobretudo ao ganho de peso, e dos sintomas de ansiedade entre pessoas com AOS, com níveis menores entre homens do que entre mulheres. Já o jetlag social esteve relacionado ao cronotipo tardio e à maior duração de sono nos dias livres, enquanto sua redução se relacionou ao avanço da idade, ao sono mais longo nos dias de trabalho ou estudo e à ausência de demandas ocupacionais.
2018
[4ª edição]
Para acompanhar as mudanças nos hábitos e na qualidade de sono da população de São Paulo ao longo das décadas, uma nova edição do EPISONO foi realizada entre 2018 e 2019, com a participação de quase 1.000 novos voluntários. Além dos exames já utilizados nas pesquisas anteriores, os participantes passaram por avaliações complementares, incluindo testes para verificar o funcionamento dos pulmões (espirometria), o registro da atividade do coração durante 24 horas (Holter) e o acompanhamento da pressão arterial ao longo do dia e da noite (MAPA). Essas avaliações permitiram investigar de forma mais ampla a relação entre o sono e a saúde da população.