O grisalhamento dos cabelos, em muitos casos, reduz a autoestima dos indivíduos, devido à associação desta manifestação como sinal de envelhecimento.
A conexão dos cabelos brancos com o sono pode ser explicada pelo estresse, especialmente aquele causado por privação e pior qualidade de sono. Dormir mal com frequência leva ao acúmulo de radicais livres pelo aumento do estresse oxidativo, o que danifica o DNA das células, inclusive as dos folículos pilosos. Estas células são responsáveis pela saúde dos cabelos, que envolvem seu ciclo de crescimento e pigmentação.
Os cabelos apresentam fases fisiológicas de queda. Porém, quando em excesso, pode ser que uma dessas causas (entre outras que devem ser investigadas em consulta médica) possa ser o estresse induzido por sono de má qualidade.
Assim como as células da pele, as células dos folículos pilosos têm relógio circadiano, o que influencia seu ciclo, com ação de diversos neurotransmissores envolvidos e substâncias no sangue, como hormônios (da tireoide, melatonina, cortisol) e componentes metabólicos (metabolismo do ferro, entre outros). Estes fatores, quando apresentam alteração isolada ou em conjunto, devem ser investigados clinicamente como causas de queda de cabelo e envelhecimento capilar, e os padrões de sono devem ser considerados como causa de estresse associada.
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As células do bulbo dos folículos pilosos possuem melanócitos, células também presentes na pele, responsáveis pela produção de melanina e pigmentação da pele e cabelos. Pesquisas recentes sugeriram que uma das causas principais de embranquecimento dos cabelos é a perda de células-tronco dos melanócitos capilares, o que leva à perda de diferenciação destas células e potencial de pigmentação (1).
Estudos em animais e estudos in vitro com cabelos humanos evidenciaram que as células-tronco dos melanócitos são atingidas por fatores estressores, que podem ser associados ao envelhecimento e estresse oxidativo (2). Em consequência, o processo de pigmentação dos fios pode ser prejudicado, clinicamente caracterizados pelo embranquecimento.
Em determinadas situações, a ocorrência de fios brancos em adultos jovens pode ser determinada geneticamente; porém, estes indivíduos podem passar por este processo de aceleração do embranquecimento se estiverem expostos ao estresse crônico, também relacionados à privação de sono crônica.
Dentro da medicina regenerativa, recentemente, tem-se pesquisado sobre os exossomos. Estas substâncias, que são microvesículas derivadas de células-tronco teciduais, ou mesmo de plantas, favorecem a intercomunicação celular. Apresentam potencial regenerativo promissor, tanto em doenças clínicas, como para melhora estética, o que inclui melhora dos sinais de envelhecimento da face e dos cabelos.
Em relação aos cabelos, há evidência de melhora em relação à queda e promoção à repigmentação dos fios (3,4), embora mais estudos sejam necessários, especialmente associados ao sono.
1. Zhang X, Zhu J, Zhang J, Zhao H. Melanocyte stem cells and hair graying. J Cosmet Dermatol. 2023;22(6):1720-1723.
2. Rachmin I, Lee JH, Zhang B, Sefton J, Jung I, Lee YI, Hsu YC, Fisher DE. Stress-associated ectopic differentiation of melanocyte stem cells and ORS amelanotic melanocytes in an ex vivo human hair follicle model. Exp Dermatol. 2021;30(4):578-587.
3. Zhou Y, Seo J, Tu S, Nanmo A, Kageyama T, Fukuda J. Exosomes for hair growth and regeneration. J Biosci Bioeng. 2024 Jan;137(1):1-8.
4. Carrasco E, Soto-Heredero G, Mittelbrunn M. The Role of Extracellular Vesicles in Cutaneous Remodeling and Hair Follicle Dynamics. Int J Mol Sci. 2019;20(11):2758.